2009-06-02

Sem ousar entrar pelos domínios da introspecção, apenas vim aqui para dizer que descobriram uma batata em Marte!

Ode à Bufa!

Bufa!

Bufa-te!

Bufa-te bufa que,
quando bufas,
as bufas que bufas
são bufas bufadas
que o bufo não bufa!

Bufa-te bufa!
E bufa-te com vontade,
para que o mundo inteiro,
na tua boçalidade,
possa sentir o cheiro
que a bufa que bufaste primeiro
emanou do que chamaste liberdade!

E bufa-te bufa que bufas!
Bufa o mundo inteiro com vaidade!
Porque a bufa do jornal que bufas,
eufemisticamente associado à nacionalidade,
é mais do que bufa bufada,
mais agreste que a cagada
que vulgarmente bufas
com tamanha veleidade!

O Bufo e o Bufão e o Bufinho e a Bufa

O Bufo é antipático e diz coisas certas.

O Bufão diz que que concorda com o Bufo embora discorde dele.

O bufinho é antipático e diz coisas erradas.

A Bufa..., a bufa... Ehmm...
A bufa cheira mal, nada mais há a dizer sobre ela...

Escrever | Num blog | Coisas fofas

Às vezes dou por mim a pensar que poderia chegar a este importante blog e nele descarregar uma série de escritos de pendor humanista, designadamente:

  • Dizer que é muito bom fazer uma festinha no lombito do pantufas enquanto ele me enche a mão de saliva.

  • Ou então, dissertar acerca do quanto me agrada levar o dedo ao nariz para dele retirar um macaquito bem fofinho que se prendia à respectiva fossa, naturalmente também ela de uma fofura ímpar.

  • Penso até que podia falar da agonia que sinto quando coço a axila em público e do perfume almiscarado que a dita verte nos ternurentos dias de verão.

  • Sonho inclusivé escrever poemas de amor em cadernos cujas folhas estão timbradas com ursinhos cor-de-rosa de laçarote catita e sorriso cumplice que, de tão fofo, até dói.

Outras vezes, dou comigo sem pensar, pelo que escrevo tamanhas barbaridades a ver se me alembro de alguma coisa de jeito para escrever.

E é bom! (Para quem?)

2009-05-27

Fora caminhando em passo apressado, dirigindo-se ao edifício largo e alto no qual rotineiramente entrara. Subiu as escadas depressa, como sempre o fizera, chegando ao segundo andar já um pouco fatigado. Entre folhas que levava na mão e sorrisos forçados que entoou aos que por ele passaram, abriu aquela maldita porta de vidro ainda a bafejar. Entregou os documentos, recebeu em troca um carimbo e veio-se embora, sem ripostar.
É bonita a vida, pensou ele, quando ao fim da tarde olhou para as árvores no horizonte...

2009-05-20

Política de gajo elucidado

Vocês vão-se mas é todos foder que eu, no dia das eleições, vou cavar em vez de votar, que sempre faço mais pelo país...

Política de falácia (ou humor à boa portuguesa)

Baixaremos os impostos conquanto que haja dinheiro para o fazer!

Política de mentira

Os cidadãos portugueses rejubilarão com a nossa eleição e melhorarão a sua qualidade de vida, uma vez que a culpa disto tudo é do Sócrates!

Política de verdade

As gentes vai a ver se ganháramos o nosso e put the friends on the jobs e os autros que se desemerdem!

2009-05-17

O novo quebra nozes

Ele há coisas que, dada a violência com que abalam o nosso quotidiano e a relevância que possuem no nosso futuro (até mesmo no daqueles que se sentem mais afastados de conceitos como o da “sociedade da informação” ou da “aldeia global”) não devem passar sem o devido alarde. Por vezes, pura e simplesmente sabemos que nada mais será como dantes.


Após uma tarde sentado ao sossego e ao sol, e tendo-me afiambrado a uma boa parte de uma má garrafa de William Lawsons 12 anos de um amigo, não saí à noite com a habitual e disfarçada esperança de que esta pudesse passar pelo incógnito, e acabei por ficar por casa.

Investi no sofá e rodeei-me de um livro, do computador e de papelada de trabalho. Naturalmente que, considerando o contexto etílico e a dormência encefálica daí decorrente, procurei também o comando e a minha escolha acabou por recair sobre a televisão.

Não dei o meu tempo por mal empregue. Assisti a parte de um programa apresentado por uma portuguesa, sobre gente, maioritariamente espanhóis, que dão o melhor de si numa tentativa de deixar marca no mundo. São feitos tão gratificantes para quem os leva a cabo – eles que após uma vida de esforço e dedicação tentam, por fim, estabelecer um recorde na actividade que se especializaram –, como são enriquecedores para quem assiste àquele empenho, ao empenho de homens como nós que sabemos não nos poderem desiludir – eleva-se a humanidade.

Há os que sobem paredes de motorizada, os que partem cocos à supapada, e os que num tanque cheio de água e dentro de uma canoa tentam dar o maior nº de voltas de 360º girando sobre si próprios, ora mergulhando, ora vindo novamente ao de cima.

Aparentemente as especialidades vão surgindo numa base quase diária e, com elas, candidatos sedentos de demonstrar todo o seu potencial e, quiçá, atingir o almejado título passando a pertencer à restrita elite que possui o seu nome inscrito no livro dos records do Guiness.

Foi num desses casos que, de seguida, fixei a minha atenção. Um homem iria tentar estabelecer o 1º recorde para o maior número de nozes quebradas, num minuto, com o rabo.

Após um pequeno período de estupefacção (não deixei que se prolongasse demasiado pois quis permanecer na posse de todas as minhas faculdades para assistir ao que aí vinha) vi um homem, espanhol, de cócoras, um a um, quebrando, sentando-se sobre os referidos frutos, que se encontravam dispostos no chão numa linha aparentemente tão interminável como o minuto em que tudo isto decorreu.

Exausto e exangue, o senhor, espanhol, terminou a prova, tendo sido validado pelo júri o tremendo número de 33 (trinta e três) nozes quebradas com a pélvis. O homem conseguiu e eu jubilei com o feito.

Pertenço àquela espécie provavelmente em vias de extinção, que possui apenas três canais sintonizados na televisão e uma outra coisa qualquer na 4ª posição da grelha. Penso, portanto, de forma cada vez mais séria aderir a um dos pacotes que, por apenas algumas dezenas de euros fornecem outros tantos canais conteúdos eventualmente tão apelativos como aqueles a que assisti. Estou a par da boa qualidade da programação (o programa de hoje ajudou a reforçar esta minha convicção) mas ainda assim acredito que devo manter a fasquia elevada. Sou assim. É uma questão de princípio.

Sou exigente no que vejo e fiquei saciado com aquilo a que hoje assisti. Ainda assim acredito que até nestes casos há margem para melhoria. E teria sido quase perfeito se o programa tivesse sido difundido ao som de uma suite de Tchaikovsky.

A neura do mês

Fico doente com esta merda. Passei uma hora de volta de um post que subitamente e a apenas duas linhas do fim, pura e simlesmente desapareceu. Puta que o pariu!!!!!!!

2009-05-09

Havia um homem que tinha o peculiar e inebriante hábito de usar um ceptro como bengala. Era um homem verdadeiramente cool, com um ceptro, também ele atrozmente cool! Feito de cortiça e ponteado com uma bola de argamassa cozida, o seu ceptro era um objecto único, capaz de fazer inveja a um qualquer lojista da Via Condotti, que certamente o desejaria como apetrecho para a sua montra. Este homem, como facilmente se poderia antever, transportava consigo o halo do poder, simbolizado aliás pelo referido ceptro. Era o líder incontestado do movimento cool power, o qual dominava o panorama ideológico de meados do século XXI, pelo que, a ele, todas as honras eram dirigidas.

Um dia, ao descer as escadarias da Piazza di Spagna, vestido de Kilt debruado de caroços de azeitona, com um padrão orgânico-fertilizante, ergueu bem alto o seu ceptro que, ao que todos diziam, exercia nos demais uma desmesurada capacidade hipnótica. Ao erguer o zingarelho rumo aos céus, as abóbodas celestes formaram um enigmático escrito que, principiando por ser turvo, rapidamente se materializou nas letras C-O-O-L-P-O-W-E-R. Sinteticamente, foi assim que, desse dia em diante, todos passaram a chamá-lo DEUS...

Efectivamente, em meados do terceiro milénio, a civilização que sempre conheceramos, sofreu uma forte e dramática mudança de enquadramento. Pela primeira vez na história dos mass-media, Deus estava vivo, usava um kilt e aparecia na televisão.

Pontualmente, ainda na primeira década do citado milénio, havia um indivíduo que escrevia umas patacoadas num blog, de forma a poder curar as insónias, pelo que ninguém lia os seus textos, por demais escusados, aliás...

Interessante seria entender o razoável nexo entre todas estas coisas. Repare-se, por exemplo, nos anéis de Saturno, essas deliciosas formas com as quais a natureza nos presenteou. Aliás, sejamos ousados: Alvanel! Gritemos alvanel rumo ao infinito como quem diz aleluia!!!

Paralelamente, o leitor menos atento, repara agora que o presente escriba o goza de forma hiperbólico-dadaísta, exercitando um pouco os músculos dos dedos, com vista ao sádico prazer de queimar as pestanas alheias em vão ...

Mas sejamos mais arrojados e tenhamos a coragem de nos despirmos e corremos para a varanda. Abanemos o pindricalho rumo aos céus e efusivamente gritemos em alto e bom som a palavra hematoma! Esperemos a resposta de uma pomba, que certamente virá em nosso auxílio com uma compressa em bico posta.

Não é bom?!? Claro que é!

Agora, voltemos pacatamente aos nossos afazeres. A ver se nos deixamos de ler blogues que não têm interesse nenhum...

2009-05-07

Filipa aderiu à rede de Susana, Susana aderiu à rede de Rúben, Rúben aderiu à rede de Sílvia...
Dasse!!! Quem adere à rede são os peixes...!!! Raio de merdas...
Andavam por aí a disparatar, ociosos que estavam nos seus percursos vivenciais. Foram fazendo o mundo à custa disso, sem que ninguém lhes pedisse contas ou a alguém tivessem necessidade de as prestar. Embalaram crianças sem lhes pesarem o desfecho. Venderam almas em sacos de papel, perecíveis como a vida que viviam.
Um dia, chegou o caos...
Uns puseram-se a cantar e a dançar. Os outros gritavam, bem alto, para que ninguém mais pudesse ouvir os seus silêncios.

Mais tarde, na amena prosa da história, sobre isto nada se disse. Uns foram recordados como heróis e conquistadores. Outros, sucumbiram ao esquecimento, como se nunca tivessem existido.

2009-04-29

Tinha uma forma peculiar de ver as coisas, a qual o deixava sempre extrair prazer das mais variadas circunstâncias. Sentia as coisas ao âmago e, quando estava feliz, não estava só por estar, era como que um brilho radioso lhe jorrasse da alma. Caía facilmente em depressão e dela retirava um gozo masoquista, melancolia soturna que também lhe inundava o espírito. Hoje, vê as coisas de outro modo. Não sente, nem a alegria, nem a tristeza. Como que está vazio num desespero sem sentido, abandonado que foi pelo privilégio do júbilo, como da dor. E vai-se perdendo lentamente, sem sentido que não sente. Vai desvanecendo aos poucos no que nada lhe interessa, sem sentido, nem vagar, nem pressa.

2009-04-27

Tenho dois estrunfes à minha frente a fumar charros e a ver desenhos animados estúpidos em modo crianças púberes, que riem à gargalhada por tudo e por nada... Pior, estou na minha casa...

Um dia destes ponho-os a andar... Nem o facto de olhar para eles com sentimentos misericordiosos me impedirá de o fazer... É a tal "cena" dos pobres de espírito...

2009-04-17

As origens da coisa

Indo eu não sei por onde
a pensar não sei em quê
fiquei assim não sei como
a chorar não sei porquê
E se um gajo, de um momento para o outro, se decidisse a comprar 82 hectáres? Será que a vida melhorava, ou as expectativas se tornariam desilusão?

2009-04-09

Cinéfilos

Há vários tipos de cinéfilos:
-Os que vêm filmes em barda no multiplex, sentem a emoção da sala, mas gostam da pipoca e não se importam com os ruminares alheios. Enternecem-se nas cenas bacocas de romance barato e acham o gajo do Braveheart magnífico.
-Os que se sentam numa cadeira do King semana sim semana sim, sentem comichão no queixo, pelo que nele assentam a mão, e nunca dão uma gargalhada, preferindo um constante sorriso tépido, como que significando a compreensão metafísica do humor refinado.
-Os que vêm televisão sábado e domingo à tarde que nem negros.
-Os que estão de ressaca sábado e domingo e vêm televisão que nem negros.
-Os que não perdiam o cinco noites cinco filmes e viam todos os dias um filme na RTP2 que nem negros, até porque não viviam perto do King.
-Os que vão às antestreias no monumental porque é giro (que nem negros).
-Os que papam curtas em festivais de cinema porque é giro (que nem negros).
-Os que acham que um filme é igual a um livro porque apenas vale pelo conteúdo.
-Os que acham que um filme é um objecto multisensorial que apenas terá valor pelos estímulos biológicos que acarreta.
-Os que têm paixões secretas por actrizes(ores) giras(os) e vêm os filmes deles (que nem negros).
E se calhar até há mais do que estes tipos de cinéfilos, mas agora não me lembro poque já começo a fritar o cérebro que nem negro...
Eu gosto de filmes, compreendo e prefiro a emoção da sala ao pequeno ecrã. Sou fã de actores expressivos e realizadores com bom gosto. Gosto de filmes light, até porque às vezes (cada vez menos) também estou de ressaca ao fim de semana. Gosto de filmes densos porque são densos. Gosto de filmes leves, porque são leves. Gosto de filmes carregados de emoção, crús ou cozidos. Não gosto de clichés porque não tenho pachorra para eles. Acho que um filme e um livro são coisas totalmente diferentes. Gosto mais dos filmes. Acho preferíveis os recursos limitativos da imaginação, mas sensorialmente manietantes. Sou tão intelectual como qualquer pessoa que goste de pensar e acho o cinema de autor, independente e faccioso apenas nas intenções do autor, absolutamente valorizável. Gosto de ouvir falar francês na tela e de longos planos sem diálogos quando os mesmos são leves. Gosto de narradores e vozes off. Gosto de montagens rápidas mas prefiro planos sequência. Não gosto nem posso ouvir falar de coisas como por exemplo "A bacia de Jonh Wayne" ou "O último ano em Marienbad", embora goste de "Hiroshima meu amor" (que nem negro!).
Conclusão: Sou um pan-cinéfilo e até acho que o Braveheart seria um grande filme se fosse realizado pelo Luc Besson, interpretado pelo Clive Owen e sonorizado pelo Clint Mansell!

2009-04-02

Se fosse visto na rua, carnívoro de espanto pelo que o olhar alcança, quieto, sentado na passadeira rolante dos sonhos, criança. Se fosse visto na rua, nu, despido de todos os que me rodeiam. Se fosse visto a sonhar vivendo, leve, palpitante, solto e macio como algodão. Se não fosse visto pela razão, apenas díspar nos disparates que se forçam. Se olhassem ao longe e vissem uma pena em balançar triste e descendente, contemplativamente observando o mundo devagar. Se foras visto sem pressas, como gostas. Se em três compassos de silêncio se gerasse a doce empatia que procuras. Se foras o que foste, que és, que desejas ser. Silêncio vago de sorriso fechado, gargalhada ausente na melancolia que não feres. Carro veloz, distante, silenciosamente vociferante. Janela quebrada com árvores que seguras carinhosamente, sem nexo aparente. Se fosses deixado viver o presente. Imagens passageiras que só sabe quem sente.

2009-03-18

Estou feliz!

Hoje é o primeiro dia do ano em que estou realmente feliz! Serenamente feliz! E gosto! :)
O sol está bonito, os dentes não me doem e a cabeça está limpinha que nem alcatifa acabada de aspirar! Gosto! Andei assim durante quase três anos e já me estava a fartar deste estado soturno...
As pessoas? As pessoas, essas, continuam iguais... Não basta ser educado... Não interessa ser educado... Quem vive para ter poder não quer saber disso para nada... Está viciado, tristemente viciado... Com gente dessa a delicadeza não vale a pena... Nem falar, nem cumprimentar, restringir os contactos ao mínimo indispensável... Como quem diz: "Não te quero fazer mal nenhum, não me interessas para nada, não me fazes mal nenhum porque já nem sequer estou preocupado se te vejo ou não, se existes ou não... Se me atacas, sem prejuízos substantivos para mim, não me defendo... Calo-me e deixo-te ganhar a guerrinha, deixo-te ter o falso poder, deixo-te... Mas atacar-te-ei, isso certamente... Quando for justo, quando for necessário, quando extravasares os limites do que substantivamente se impõe... E nesse dia, hás-de dormir a pensar em mim..., hás-de berrar com os teus filhos pelos males que subconscientemente te infligi, hás-de-te divorciar e viver miserável para sempre, com todo o teu falso poder...
Nunca me vencerás, porque não tenho nada a perder... E estou feliz! Sou livre e estou feliz! Cheio de força. Confio em poucos, conto com poucos e esse é o único segredo para ser feliz!
Vou agricultar ao sol! :)
Texto dedicado a uma pessoa digna, importante e poderosa... E tristemente infeliz...

2009-03-16

Sondagem

Duas não casamenteiras, três fufas, três gajas que nunca tiveram onde cair mortas, seis indivíduas ajuízadas e sete votos de um gajo com um humor impecável depois, termina uma sondagem de inquestionável valor e duvidosa utilidade...
Caberá dizer que a vitória do "guarda-redes" é tão fraudulenta como a do Américo Tomás e que, se "eles preferem as loiras", inquestionável será que "elas preferem os neuróticos" (desde que tenham onde cair mortas, claro está)...
Inquestionável será também que a ausência de símios em muito influenciou qualquer amostra que se poderia recolher, até porque isto de "viver com" e "estar na cama com" não é bem a mesma coisa... Ou será?
A vida real é gira... Há guerra e necessidades de consolo. Há tédio e cumplicidades. Há coisas que se esquecem e que se relembram quando menos esperamos... enfim..., há paradoxos, que é como quem diz "é real"!
A finalizar, dizer apenas que vou prepelizar opiniões de forma a enunciar uma nova sondagem que, ao que suspeito, terá ainda menos votos que a anterior. É giro escrever publicamente para ninguém, sondar inopinadamente ninguém...
É dádá! (ou talvez não)

2009-03-11

Imagine-se que se começam a ler os sumários do Diário da República e, de repente:
Resolução do Conselho de Ministros nº25/2009
Presidência do Conselho de Ministros
Autoriza a República Portuguesa a participar no Trust Fund da Facilidade de Investimento da Vizinhança.
Até parece simpático! Coisa gira. O pessoal dá-se todo bem e os vizinhos e tal e coiso. E um churrasco na rua e tal. E até vem o Ti Xico e a Ti Zulmira lá de cima e coiso. No fim uma futebolada de solteiros contra casados e, para os audazes, o torneio de sueca e umas marteladas de tinto pela noite dentro.
Mas depois "vaissaver" e é dinheirinho (que aliás existe em abundância por feudos de Viriato)...
Pior, fica-se sem perceber nada e só se pensa: "Vou mas é guardar os meus direitos de cidadão para o momento de pagar os impostos, já deve faltar pouco...
Mas afinal quem é que manda neste país?!? E tudo a Reclamar com o filósofo, enfim...

O que é não volta a ser (ou algo que o valha)

Dói-me o umbigo de cada vez que ouço alguém dizer coisas como o título acima... Mas dói mesmo, atenção, não estou a fingir... E como dói, ponho-me a enunciar clichés... Por exemplo: "Só não é o que não se quer", "A vida é um conjunto de paradoxos e repetições", "Viver é recordar", "Recordar é viver", "Reviver é viver" e, last but not least, "Não acreditar é morrer"...
Às vezes estou morto e não gosto! Nessas alturas faço um esforço para saber como era quando estava vivo. E depois lembro-me e faço dessa forma. E depois morro outra vez. E depois faço outra vez como o JC e ressuscito! Antes morrer de cancro a viver morto! E depois lembro-me do "outro indivíduo" e também me lembro de perguntar "Quem é quem?"... Mas depois penso: O que é que isso me interessa? Interessa-me mais saber o que quero fazer do que o que sou...
O povo?!? O polvo?!?
Os alienígenas!!! Claro está!
E o medo, convém não esquecer...
Amanhã vou já comprar uma camisa branca (antes isso a umas meias), com um colarinho bem engomado e um fato de risca de giz! Mas atenção, acessorio a coisa com um alface qu'é pra verem que sou do povo, que é como quem diz, que não nasci em morte (ups, marte)...
Depois disso ainda, gasto uns bons euróis num croissant com chocolate rijo e sento-me numa esplanada à turista para toda a gente me ver! E penso novamente, antes isso a comer um pedaço de fruta de uma árvore. Ao menos ali dão-nos os guardanapos! Doutra forma seria estranho, era capaz de borrar a gravata... E isso é coisa que nunca se pode fazer, pelo menos na presença de turistas...
Às vezes apetece dizer aos velhotes que eles são caquécticos, mas é tudo mentira, não são nada..., caquéctico é quem acredita que "o que foi não volta a ser", mai nada!

2009-03-08

Pedaços de diário (ébrio assim mai ou menos)

Hoje assisti a um concerto horrível de um boçal cá da terra. Já não sinto a nostalgia cá da terra. Já não consigo sentir a nostalgia cá da terra, por mais que queira...
Solução? Voltar para Lisboa? Nada disso, alhear-me da terra e considerá-la um mero lugar de trabalho e sair daqui de vez em quando, como fazia há uns tempos. Restringir os amigos a um mínimo, a chamada amizade neo-liberal, que bem que soa!
Estou a beber um whisky de merda numa bela companhia, valha-me isso...
Dizia-me o meu "cunhado" há uns tempos: "A partir do momento em que decidi estabilizar a minha vida, os amigos fugiram todos, ficaram dois ou três... Amigos dos copos? Puta que os pariu...
Feliz ou infelizmente, dependo do facto de a minha vida não ser arremessada aos quatro cantos do mundo para ter sucesso profissinal... Conheço duas pessoas que guardam o que lhes digo, que estão lá em todos os momentos. E chega-me, não quero mais... Não quero ter que aturar gente que não me diz nada a vir dizer-me que o tal, que até pensava que me dizia alguma coisa, lhe disse que eu andava "muita mal", ainda por cima porque, tendo andado, já não ando, ponto final! Mas que merda é esta?!? Se não sai todas as noites, anda mal?!? Se gosta de aproveitar o dia mais que a noite, anda mal?!?!? Se deixa de beber copos conpulsivamente e pura e simplesmente já não suporta um serão de boçalidade contínua, anda mal?!?
Puta que pariu quem não entende isto!
Estou a beber um whisky de merda e só isso já basta para que o meu estado de espírito não seja o melhor...
Confiar em poucos, restringir-me a poucos, cagar nos boçais com a mania que são um ssspetáculo..
Hei-de passar a ir a Lisboa e estar somente com duas pessoas que me dizem algo, o resto que se foda!
Se ninguém atinar nisso, raios que os partam, tenho-te a ti, óh mais que tudo e, muito francamente, chegas-me!
Post scritum: Andrew Bird é altamente e não é dos copos, é mesmo bonzinho!!! :)

2009-03-05

Arranjei um amigo que vem buscar a lenha excedente ao meu terreno, o que me dá jeito, até a título de prevenção de incêndios. Disse-me que ia lá lavrar-me a horta no sábado à tarde e tudo de borla. Pedi-lhe o contacto de um caterpilar para surribar uma pequena faixa de matagal. O meu amigo é um homem forte e capaz, concerteza, de empunhar uma espada de tempos medievais, sobrevivendo a um ataque de cavalaria pesada. É voluntarioso e dado ao trabalho. Faltam-lhe os dois incisivos e tem uma pronúncia que, muito francamente, traz às nossas comunicações um certo grau de ininteligibilidade. De qualquer forma, agrada-me que ele por lá apareça de vez em quando. Traz à coisa um certo espírito rural profundo e esporadicamente desejável.
No outro dia recebi esta mensagem da parte dele:
"Ola tudo bem eu sou bruno esta aquim numaro do maquininta 91XXXXXXX o rapaz chama_se lius pinto um abraso ate sabado"
Ao que diz a minha namorada: "Tão querido, coitadinho..."
Ao que penso eu: "Que pérola!"
Interessantes os pontos de vista possíveis sobre uma mesma realidade. Enquanto que o dela foi instintivamente maternal, o meu apenas se cifrou numa amálgama de pensamentos jocosos. Numa fracção de segundos consegui imaginar o meu amigo numa festa no Lux, numa tertúlia de intelectuais ou até mesmo num restaurante gourmet.
A verdade é que sinto uma certa empatia pela personagem e, verdade seja dita, se esta civilização acabar, são homens como este os que mais se poderão adaptar a um mundo diferente e baseado na economia de subsistência. És de louvar Bruno!

2009-03-04

Vejo o vento escorraçar a luz que povoa o dia. Árvores que bailam ao som da precoce primavera que voou, embalada na cantiga da natureza errante. Vejo as estações que estacionam o universo circundante. Pouso numa núvem e rasgo o efémero e volátil arco-íris. Por instantes. Uma pausa, uma derradeira pausa. Gostava de silenciar o mundo e não ouvir o temporal. Gosto. Faço. Estou vivo apenas quando vivo no mundo que escorraço.

Vida de reis na Polónia

Com a cotação em que se encontra o zlot, o mais que um gajo pode fazer são umas economias e uma boa semana de férias!
Mas depois um gajo pensa: O que será a "vida de rei na Polónia"?
Turismo sexual? Nepiás, nunca fui às putas e apenas o farei quando me decidir concominantemente a experimentar cavalo, o que me parece aliás que jamais acontecerá...
Comer em restaurantes caros e ir à ópera? Népias, lá também já não se deve poder fumar em espaços fechados e a ideia de passar duas horas num restaurante à espera que me sirvam sem me subsumir à qualidade de agente poluidor não é nada entusiasmante.
Fazer compras? Um quadrito barato que se encontre na rua nunca é mal pensado, mas francamente não sou do estilo de ir ao estrangeiro comprar o que posso comprar em qualquer sítio do mundo.
Portanto, mochila às costas, máquina fotográfica e um livrito ou dois. Uma bebedeira com cerveja de leste que também faz bem. E duas ou três estupidezes que é como quem diz sentir o cheiro às coisas.

2009-03-02

Depressão todos a sentem. Uns entregam-se a ela, outros fogem-lhe. Via de regra, os primeiros são pessoas extremamente interessantes, que têm por hábito cultivar a melancolia como quem planta sonhos na auto-estrada da vida. O problema é que esses sonhos impedem a livre circulação dos vencedores. Daqueles que não sonham, apenas vivem e lutam e vencem. Esses são os segundos.
Cá para mim, prefiro os primeiros. Também venço de vez em quando, mas não faço disso vida, nem quero. Vencer é proporcionalmente interessante à medida da causa. Se a causa é raquítica, vencer, por mais que nos dê ânimo, não passa da derrota de uma vida vivida sem sentido.
Odes a quem deprime, pois são eles os arautos dos sonhos!

2009-03-01

Liberdade

No outro dia vi um documentário sobre a Dinamarca. Dizia-se que os Dinamarqueses são um povo muito pouco comunicativo, que não falam muito uns com os outros. Dizia-se que, no metro, bastava que uma pessoa se levantasse para que a outra rapidamente se encolhesse de forma a deixá-la passar.
Hoje, acabo de assitir ao festival da canção e, lembrando-me desse documentário, apenas me apetece emigrar...
O que é a liberdade? Francamente não sei, mas que pressupõe respeito e educação, disso não tenho dúvidas.