2009-11-05

Cogumelices, que é como quem diz, micologisses...

O cogumelo que se vê em cima é um frade, o único cogumelo que sei diferenciar com certezas e que, em miúdo, colhi inúmeras vezes com o meu pai. Têm três traços característicos que o tornam facilmente identificável, a saber: O anel em volta do caule, a textura da parte superior e o facto de aparecerem sempre aos pares. Quando envelhece torna-se castiço e bastante grande.
Atenção, é muito parecido com outro, que também tem anel, e apenas se distingue dele pela textura da parte superior, a qual apenas com a experiência se aprende a identificar.

Mas porquê falar de frades? É que antigamente havia disto às dúzias e bastava rondar um pinhal para apanhar facilmente uma cesta deles... Hoje em dia não é bem assim... De qualquer forma, já vi cinco este ano, mas preferi espalhar-lhes os esporos para colheitas vindouras do que comê-los... Pode ser que para o ano se faça um arrozinho de frades!


Quanto a estes, a coisa é bem diferente... Há muitos anos que não via um e, também este ano, há cerca de três dias, vi um par deles... Uma das imagens mais antigas que tenho da infância é a de estar circunspecto a olhar para um "bicho" destes, gigantesco, quase que hipnotizado com a sua beleza. Lembro-me bem do pânico que o meu pai teve quando me encontrou a adorar o dito e de me dizer que aquilo era a coisa mais venenosa que existia. Ainda hoje recordo o exacto local onde ele estava e, de cada vez que lá vou, passa-me essa imagem pela cabeça.
Quando era já adolescente, dizia-se que havia uns cogumelos vermelhos com pintas brancas, cujas mesmas davam um "grande mocão", embora nunca tenha acreditado muito nessa hsitória, até porque do mocão à morte às vezes a distância não é grande...
Mas fiz umas pesquisas e posso, com alguma certeza, apresentar-vos este cogumelo como sendo o "Amanita muscaria", ou agrário das moscas.
Aqui, uma perspectiva temerosa e aqui a possibilidade de o comprar para levar de "viagem"...
Qualquer dia colho um para levar nas férias do próximo ano... ;)

Uma abóbora de respeito

Amândio da Conceição gosta de cultivar o seu quintal. Couves, batatas, alfaces, entre muitas outras variedades, nascem e crescem. Porém, nada como o que aconteceu recentemente. Numa sementeira normal de abóboras, alguns dos exemplares começaram a crescer, a crescer, e, quatro deles atingiram proporções fora do normal. A mais pequena, cerca de 48 Kgs, e a maior (que a foto mostra), com 56. Questionado se o tratamento dado tinha sido diferente, refere que foi uma sementeira normal, "lancei as sementes à terra, remexi a mesma, nasceram, cresceram... e deram este resultado". Questionado sobre o destino a dar às mesmas, refere que alguma será para consumo, mas a maior parte destina-se "a alimentar os porcos que crio". Após as couves de Alberto Afonso e Jaime Levita e o nabo do Xico Pereira, mais um "fenómeno" surgiu em Retaxo.
In: Jornal "Povo da Beira", 20 de Outubro de 2009
Palavras para quê? O Amândio gosta de cultivar o quintal com'ó Cândido, o Jaime levita e o Xico Pereira é um nabo! Só podia acontecer "em" Retaxo! É quase com'ó menino, que nasceu "em" Belém!
Enfim, pérolas a porcos..., ou abóboras a porcos, que é quase o mesmo...
Curiosos nós que cavamos os sulcos do existir
para neles semear a própria vida que morremos
Curiosa a vida (?) de quem não cava nem semeia
Curial o espírito
Cordial'mente'(ira)
Ao nascer fora ensinado a jogar a bisca pelos melhores. Sabia de antemão os trunfos que restavam e os pontos que faria, pelo que, com alguma naturalidade, irremediavelmente saía vencedor de todas as partidas. Era um jogo simples, mas talvez a catapulta para algo maior, futuro adivinhado, pensava, nos momentos de prestidigitação...
Cedo se fartou de um jogo tão banal e, cedo também, deu os seus primeiros passos no xadrez, que todos lhe apregoavam como máximo estádio no que à arte de jogar diz respeito. Aprendeu vários movimentos e, calculando as jogadas com léguas de antecedência, rapidamente se tornou um exímio jogador, capaz de destronar os melhores e mais experientes adversários dos seus faustosos tronos.
Algures a meio do seu existir, fartou-se de frívolos raciocínios sistemáticos, repetidamente destinados ao mero entertenimento. Foi então que decidiu jogar o jogo da vida.
Iniciou-se nesta arte como se iniciara nas predecessoras, tentando, primeiramente, descobrir as regras, para depois, pensava, definir as estratégias que o ajudariam a contorna-las. Inesperadamente, descobriu que agora jogava num interminável campo sem balizas ou linhas de fundo e que o cardápio do existir era mais extenso e longo que os anos que lhe restavam.
Deixou-se de jogos e, pela primeira vez desde que nascera, viveu!

2009-11-02

Para lá de ter descoberto que no continente há gaufres que, aquecidos no micro-ondas e apimentados com mel, são tal e qual os do tasco na Rua dos Pescadores da Caparica; e ter já experimentado o meu "acessório abre-regos" que, ao contrário do que se possa inicialmente pensar, é uma coisa "muito de homem",
(e claro, sem ousar entrar por assuntos futebolísticos - esse pessoal que liga à bola é mesmo anormal...)
posso considerar que o facto de os ídolos terem reaparecido na televisão é um fenómeno de curial importância no que à vivência do dia a dia diz respeito!
Senão vejamos:
Ken li ulibúlibúláuchu e fonemas afins adocicam o serão de qualquer um. Tudo isto condimentado com demonstrações de virilidade envergonhadas por parte de indivíduos com a mania do abre-regos (neste caso acessório que "não é de homem") e sensíveis seres cientes do seu incontestável valor lírico, que é como quem diz "para que é que servem os galos se temos disto", ajudam a que um qualquer indivíduo adormeça com os níveis de dopamina em alta!
Entremeando a questão, vale sempre a pena ver que A canta muito bem mas tem um look bera e que B é lindo de morrer embora não lhe restem fenêtres na casa...
Sintetizando: Como é bom viver neste Portugal de intelectualidade profícua! Como é bom ser um asno no meio das mulas, chegar à noite, dormir, sem vitinho nem nada, e acordar sabendo que se sabe o mesmo que ontem menos o que se esqueceu!

2009-10-15

Algures na interioridade disse um dia o poeta: "nunca me visto de branco porque pareço um perna de pau"!
Só me interrogo acerca do significado que esta pérola do raciocínio dialéctico teria no nosso bem amado Roberto Leal...

2009-10-11

Invasão de juncos

É de mim ou está a mesmo a acontecer um invasão de juncos em Portugal?
Agradecem-se testemunhos que o comprovem ou me internem.

2009-10-01

Carta a um gnú

Estive quase para escrever um poema..., ou qualquer coisa parecida a esse conceito. Até já tinha a frase inicial compostinha: "É visível o grito dos surdos que ecoa no vale da ignorância".

Ok, já passou..., tá tudo bem... Tudo fofo! Adiante...

A minha bela vida:

-Tenho o carro a fazer um barulho que parece que vai explodir (a verdade é que a situação já se prolonga há 4 meses e o carro continua a andar), sem stress, mesmo à português...
-Ando consumido por ideias de roubar dinheiro ao estado, só hoje a brincadeira já vai em €535 (os dois euros de despesas nã contam, uma vez que, para tal, gastei duas folhas de papel e tinta da impressora...).
-Tenho que acabar o muro de pedra por cima do tanque num futuro muito próximo, senão já planto a vinha e semeio a relva muito tarde.
-Não sei se hei-de ir a Amsterdão em Novembro ou no ano novo, mas a verdade é que já fumava um charro...
-Acabei O Retrato de Dorian Gray do Wilde e comecei O Avesso do Direito do Camus, a seguir leio mais dois do Camus, um do Stig Daggerman e outro do Pacheco e acho que já chega de letras até ao fim do ano...
-Gostei do Cândido pá!

A ver se nos embebedamos, oh fiel leitor e co-escritor deste blog!!! :)

E pronto, está a semipública correspondência feita!

Grande abraço!

Anda por aí tudo em pulgas por causa das palavras do líder da bancada parlamentar do psd. Tudo bem..., diz umas coisas giras, tem modos de avozinho, boa fonética para se imitar e jeitos tresloucados de senilidade, o que sempre se apresenta como indubitável argumento para a sátira e a boa disposição que dela emana.
De qualquer modo, convém lembrar que esta semana já choveu, o que em muito ajudará ao cultivo das espécies forrageiras!
É que o mundo até pode andar de pernas para o ar, mas há que definir prioridades...

Civilização

"(...) no campo, quem quer que seja pode ser boa pessoa. Lá não existem tentações. Por esse motivo é que as pessoas que vivem fora da cidade são totalmente incivilizadas. A civilização não é de modo algum fácil de se conseguir. Há apenas duas maneiras possíveis de a alcançar. Uma é através da cultura, a outra através da corrupção."
In: O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde
Pondo de parte a premissa de que no campo não existem tentações,hoje por demais afastada da nossa sociedade global, parecem-me muito interessantes as mediatas considerações sobre o conceito de civilização.

2009-09-24

Livros antigos

Os livros antigos são giros (ponto). Mesmo que técnicos, encerram sempre uma panóplia de dissertações sobre temas de cultura geral e pensamentos filosóficos. Se houve coisa que se perdeu com o advento da especialização e da tecnocracia, foram aqueles livros que, capazes de tratar um tema a fundo, sempre nos iam presenteando com esparsas considerações sobre a vida, a história, a filosofia...
O humanismo está morto, mas fazem falta os livros técnicos entremeados de romance, de histórias, de meditações... Eram bem mais agradáveis!

Pensamentos para trincar e digerir

"A auto-recriminação é um luxo. Quando nos auto-censuramos, temos a sensação de que mais ninguém tem o direito de nos censurar. É a confissão, e não o sacerdote, que nos dá a absolvição."

In "O Retrato de Dorian Gray" - Oscar Wilde


"As nações, como os individuos, uma vez reduzidos à pobreza, com difficuldade se subtrahem á escravidão."

In "A agua, compilação dos principaes elementos de geologia para o descobrimento dos mananciaes aquaticos" - D. Santiago Garcia de Mendoza.

Ps: Pode parecer um bocado freak o título do último livro, cuja edição de 1866 adquiri via internet, por um preço proibitivo... Mais freak é a frase nele contida, que encerra demasiada filosofia para um livro técnico. De qualquer modo, vamos vivendo a vida como poetas obreiros e, no espírito de fazer pelas próprias mãos uma mina de água como "os antigos", informamo-nos cientificamente com as suas receitas académicas. E depois? É melhor que gostar de meninos pequeninos!!!

2009-09-23

Cidadania

Analisando a minha vida nos últimos anos, terei dúvidas que possa ser considerado um cidadão exemplar, ou até mesmo um cidadão na verdadeira acepção da palavra...
Com efeito, o meu bilhete de identidade caducou em 2007, o meu cartão de eleitor esté perdido desde a última e primeira vez que votei (em noventas e tais no referendo do aborto e da regionalização) e cartão do serviço nacional de saúde é coisa que não tenho e nunca tive...
Chego a indagar-me sobre a substância da minha qualidade de cidadão, sendo que me considero mais próximo de um apátrida do que de um indivíduo de nacionalidade portuguesa...
O senão de todos estes acolhedores incidentes burocráticos reside apenas no facto de ter cartão de contribuinte e ser obrigado a pagar impostos, situação que penso resolver positivamente no próximo ano, abrigando-me nos conceitos de "mínimo de existência" e "prestação de serviços a uma única entidade", neste caso o estado, com vista à minha efectiva tributação nula...
De todas estas situações advém-me um problema maior, ainda que com poucas consequências... É um facto que nunca ninguém me deixará fazer o cartão de cidadão sem exibir o de eleitor e o do serviço nacional de saúde, o que implicaria para mim uma travessia no deserto de algumas secretarias altamente Kafkianas, tais como as dos hospitais ou juntas de freguesia.
Ainda assim, só vejo uma vantagem em ter o cartão de cidadão: Não ser multado pela brigada de trânsito, vantagem essa que rapidamente dirimi ao observar empiricamente que os sujeitos bonacheirões da boina verde se desfazem em sorrisos pela mera apresentação da minha carta de condução e, mormente, pela alegação da minha qualidade profissional, sendo certo que me perdoam cronicamente a multa.
Isto apenas para concluir que votar, nestes dias pós-péricles do contexto democrático actual, não é uma vantagem para ninguém, antes um tortuoso e inútil aborrecimento...

2009-09-21

Outra vez, Linda de Suza

Essa grande senhora da valise en carton, que assombrou as infâncias dos que, como eu, tiveram o privilégio de ainda nascer na década de 70, voltou aos ecrãs de televisão para uma reportagem na SIC.
Pérolas senhores! Pérolas!
Entre lambidelas do cão fofo que é a sua única companhia, passando por recordações de tomates gigantes que guarda do seu Portugal, Linda relembra efusivamente momentos como aquele em que, com Mário Soares de um lado, Jacques Chirac do outro e ela a meio, brilhou para o mundo da política. Até se recorda a senhora de ter deixado de ir a um jantar na câmara de Paris só e apenas porque a sua cabrinha tinha acabado de dar à luz!
Esta mulher que chegou à humilhação de gravar com um grupo rap de luso-descendentes, é hoje uma criatura que conta tostões e se diz enganada... Com uma reforma de €1800 (mil e oitocentos euros) vive miseravelmente e apelida essa quantia de esmola, comparando-a à sopa dos pobres...
Sim Linda, tu mereces mais!!!
O vídeo está aqui!

2009-09-20

Gosto de ouvir falar de amor nas esplanadas de Lisboa. Mistura-se o inglês ladrado em pronúncia alemã, com a ponte, que ao fundo, dá a um imprudente turista a ideia de uma cidade dócil, civilizada, constantemente ligada ao resto do mundo que se permite filtrar. A puta da ponte não liga; limita-me o mundo.

2009-09-09

Mim tipo coiso

Fui, em tempos, eu próprio.
Hoje não sou o que fui em tempos.
Hoje, não sou eu próprio?

2009-09-04

Vício

Para quem tenha conta no yahoo: http://uk.games.yahoo.com/online-games/card/games_canasta.html

2009-09-01

"25.03.2009 - 18h56 - Ana Menezes, porto
eu fumo chamon de vez em quando. Nunca ando com stresss sou licenciada e tenho muita responsabilidade laboral. A minha mãe coitada anda com anti depressivos agarrada e deprimida. é a vida...as gerações dos 50 andam mergulhadas em comprimidos das farmaceuticas que manipulam o mundo. Já lhe disse para fumar e deixar os anti depressivos.... mas não acredita em mim...só no psiquiatra FDP!"
E o que é isto, perguntáis vós, criaturas sem amor à pestana?
É um comentário de uma criatura a uma notícia do público, na qual se falava de um estudo, segundo o qual os fumadores de marijuana tinham mais 70% de probabilidades de contrair cancro dos testículos do que os não fumadores.
E o que é que eu acho disto? retorquis vós, intrigados...
Não acho nada..., aliás, acho giro, o comentário...

Bucólica ordinarice...

"Sinto-me orgulhoso por ver que possuo um coração capaz de sentir essa inocente alegria do homem que põe sobre a mesa a couve que ele próprio semeou, e que não só goza de vê-la, como também recorda ao mesmo tempo os belos dias que passou a tratá-la, a linda manhã em que a plantou, as amenas tardes em que a regou e, finalmente, o prazer que sentiu de a ver crescer e engrossar!"

in: Werther, de J.W. Goethe

Em jeito de comentário, não nego que sinto prazer ao vê-la crescer e engrossar!

2009-08-24

Deitei-me por volta da meia noite e acordei à uma e meia da manhã com o barulho dos carros que passavam, de estereofonia à solta, entoando clássicos dessa pútrida banda que dá xutos (suponho que na veia) e pontapés (tralvez na gramática?)...

De tão furioso que estava, peguei no Jogador do Dostoiévsky e li-o numa penada, prontinho para o banho às oito da matina.

Recordo uma ideia: É sabido pelas pessoas inteligentes que o cerne da amizade reside exclusivamente na humilhação...

Este Dostoiévsky tem rasgos de pura genialidade. Se fosse o Rui Costa contratava-o já para o Benfica!

2009-08-22

Dos regimes socialistas e da sua génese

Explicando de forma pormenorizada o que pretendi dizer e até porque agora nos tratamos na terceira pessoa o que, inequivocamente demonstra alguma da minha irascibilidade benfiquista, passarei a alongar-me na questão da falta de produtividade associada aos regimes de nacionalização do capital.

Repare no seguinte exemplo:

O trabalhador A demora 2 horas a produzir uma utilidade económica, enquanto que o trabalhador B demora 4. Numa situação destas, aplicando o princípio socializante, digamos assim, que perfilha que cada qual trabalhe consoante as suas capacidades e a cada qual seja atribuído o que lhe impõem as suas necessidades, teremos que:

1- Ambos os trabalhadores trabalharão incessantemente.

2- Mesmo que ao trabalhador A lhe sobre tempo por já ter saciado as suas necessidades terá que continuar a trabalhar para perfazer as dos restantes (os menos produtivos).

3- Mesmo que o trabalhador B não produza o suficiente para fazer face às suas necessidade, as mesmas seriam sempre preenchidas pelo trabalho alheio.

Digamos que, numa sociedade em que o capital seja nacionalizado e em que, digamos, a lei do menor esforço esteja vedada por imperativos sociais, a meritocracia estaria sempre arredada. A não ser que aos mais produtivos se atribuísse uma qualquer condecoração meramente simbólica, obrigando-os ainda assim a dispor do super-avit laboral de que dispõem para satisfazer as necessidades alheias.

De qualquer modo, repare, as definições que aponta de meritocracia, são apenas explanações psicológicas do conceito que, de modo algum, traduzem o seu cerne político, já que é de um regime social que tratamos.

Posto isto, veja mas é se acaba com as suas silvas em 3 ou 4 dias, que eu, por mim, acabaria com elas numa tarde! :)

Grande abraço! :)

2009-08-21

Das muitas coisas que aprecio no Benfiquismo, a sua forma contagiosa de irascibilidade (por ventura maior que a da própria gripá) com que presenteia quem dele padece, é seguramente aquela que mais me diverte.

Dito isto, e abandonando os temas papoilo-saltitantes, gostaria de dizer-lhe o seguinte:
Tenho dúvidas que seja uma verdade incontestável que “em regime de liberdade dos mercados, uns e outros vão moderando as suas ambições, por forma a encontrarem um ponto de encontro que torne possíveis as suas compras e vendas”. Precisamente porque se mantém subjacente à sociedade e, quanto a mim, virtualmente indissociável da sociedade, a lei do menor esforço, porventura ligeiramente distinta do princípio hedonista que ao prazer contrapõe o sofrimento e não o trabalho. Ainda assim, na substância estamos de acordo.

E estamos de acordo precisamente porque a lei supracitada, a tal que considero subjacente e eventualmente indissociável da sociedade, está também subjacente a ambos os significados que atribuí ao conceito de meritocracia.

Se quiser, por outras palavras, os significados de meritocracia expostos traduzem por um lado, [1] a vontade da aplicação da meritocracia face à impossibilidade da (desejada) aplicação da lei do menor esforço e, pelo outro, [2] a inconsequente defesa da meritocracia como meio de alinhamento social uma vez que a lei do menor esforço é aplicada mas não pode ser assumida.

Dispenso-me a comentar a sua razão inversa que, confesso, não consigo descodificar.

Quanto à questão bibliográfica, gostaria apenas acrescentar anchovas.
"(...) o princípio hedonístico, ou lei do menor esforço, insere-se frequentemente nos quadros económicos. Mas a sua raíz é psicológica, traduzindo a tendência do homem para obter a maior soma de satisfações com o menor sacrifício possível. As próprias leis da concorrência e da oferta e da procura, situadas no centro das teorias económicas, constituem ainda reflexos da tendência psicológica hedonística. Os vendedores procuram vender aos mais altos preços. Os compradores querem comprar aos mais baixos preços. Em regime de liberdade dos mercados, uns e outros vão moderando as suas ambições, por forma a encontrarem um ponto de encontro que torne possíveis as suas compras e vendas. (...)" in Economia Política - Soares Martinez, Almedina 1996, págs. 35 e 36.
"A susceptibilidade dos bens económicos satisfazerem necessidades designa-se por utilidade." in op. cit. pág. 105.
Analisando o conceito de acto de produção, temos que: "(...) constituirá acto de produção aquele que trone um objecto útil, ou aumente a sua utilidade. É um acto de produção, do ponto de vista económico, o acto criador de bens desejados, o acto criador de riqueza." in op. cit. págs. 400 e 401.
Nesse sentido, a meritocracia está para os produtores de utilidades económicas na razão inversa em que a falta de produtividade está para os defensores de sitemas autoritários (vulgo socialistas) baseados na nacionalização do capital...
Quanto ao conceito de meritocracia, apenas acrescentar que a bibliografia do "pastor" é medíocre e errónea, embora neste momento não consiga encontrar os meus volumes de ciência política do Sr. Jean Touchard, de forma a lhe poder dar um bom safanão nas orelhas... Que é como quem diz, vai às cabras pá e não chateies! :)

2009-08-20

Meritocracia

Meritocracia, [1] s. f. Forma de gestão defendida por quem está ciente da sua inaptidão social para atingir os seus objectivos de carreira com recurso ao mínimo de trabalho; [2] s. f. Forma de gestão socialmente defendida por quem, sendo socialmente apto para atingir os seus objectivos de carreira com recurso ao mínimo de trabalho, está ciente da importância social de o negar.

2009-08-19

Quando se vai ao cinema sem expectativas, às vezes o filme, que até nem é grande coisa, fica gravado na memória. Quando se vai ao cinema com expectativas, só as obras primas podem satisfazer... É uma espécie de bipolaridade gustativa...

Ontem fui ao cinema com expectativas... saí de lá a entoar mentalmente a música do Marco Paulo... e não foi bom...

2009-08-13

Recordações da adolescência

Fui um aluno bastante bom até aos meus 14, 15 aninhos, altura em que, tendo-me apercebido que a cerveja era bem mais eficaz que a água e que o papel não servia só para escrever, mas também para criar canudos com verduras lá dentro, passei a ser um tanto ou quanto displicente no que aos meus estudos diz respeito.
Recordo com especial saudosimo a disciplina de latim, que amei desde o primeiro momento. Aliás, ainda hoje não percebo como alguém poderia considerar tal disciplina entediante, ou até mesmo difícil... Lembro-me que tinha aulas de duas horas, das quais saía cronicamente ao fim de cinco minutos, com vista à requisição de um dicionário na biblioteca, bastante semelhante ao que deixara em casa por conveniente lapso. Por ironia do destino, apenas aparecia a cinco minutos do fim da segunda hora. O latim era fácil, pensava eu...
E era!, senão vejamos:
- O teste das duas melhores alunas rodava sempre até ao meu lugar...
- A tradução de português para latim, não encerrava qualquer segredo, que é como quem diz, "traducione per latini, segredus nenhumo encerae". Aliás, no que a este capítulo diz respeito, sempre me achei dotado. As coisas fluíam, sei lá... Talvez daí o meu desdém por aqueles cromos que se fartavam de magicar declinações... Declinações?!? Raio de merdas... Para que é que isso é preciso, quando o nosso instinto é por si só declinatório?!?
- No que diz respeito à tradução de latim para português, recordo com especial carinho o episódio em que, no exame nacional de décimo segundo ano, escrevi a prodigiosa frase: "O ervilha levava a bala na bandeja de prata, para que, com ela, os cães enjaulados desfrutassem." Tá-se mesmo a ver que isto é coisa para Homero dizer, não? O 3,4 que me atribuíram, após esforçado recurso no qual a minha própria explicadora se recusou a colaborar, lá deu 4, o que, aliado à minha frondosa média interna de 12, serviu o mágnifico desiderato do belo do nove e meio!
E tudo isto para enunciar uma magnífica asserção:
Serei eu um nato macho latino?
(ou pelo contário um mero dançarino?)
Nos próximos capítulos: Peter plane pane foge da polícia, montado numa scooter com mais dois gajos tão ébrios como ele, à vertiginosa velocidade de 40 kh, acabando por ter um acidente na gravilha que se encontrava na estrada.

Lirismo

Tem cuidado com a vacança, óh senão cresce-te a pança!

enunciação não taxativa

O que mudou a seguir às férias:

-Finalmente faz calor a sério (ena!, que bom que é ser pessoal da segunda quinzena do mês da matrícula amarela!).
-Sinto-me fofo, que é como quem diz, "não percas uns quilos não, que qualquer dia nem com as costas podes...".
-Tenho vontade de acordar cedo e ir trabalhar (coisa que, quase aposto, apenas durará entre 2 dias a 2 semanas...).

O que não mudou a seguir às férias:

-Continua a dar uma série sobre strip na sic.
-Ao contrário do que inicialmente pensara, após ter lido as cidades invisíveis, não me sinto uma pessoa melhor (facto que prestigiditei após a leitura das primeiras dez páginas, ou "que trampa de livreco").
-Vivo num sítio de merda, com pessoas feias e asquerosas, que, de cada vez que dizem algo, me fazem lembrar ornitorrincos regorgitantes, embora, ainda assim, me sinta feliz por, vivendo neste cú do mundo, ter um sítio onde cavar e cultivar os meus enormes tomates!

2009-08-10